Sou uma parte da cura
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ou sou uma parte da doença?
“Repulso. Repulso define o amor. Pelo menos pra mim. Não consigo ver algo bom me rodeando… algo verdadeiro. Ver essas coisas clichês me dá náuseas. Talvez por eu não ter aquilo que os outros tem. Ou pela vontade de ter o que os outros tem. Vai entender…”
Stephanie Rodrigues.

Eu tenho saudade dos joelhos ralados e dos livros de colorir. Me faz uma falta enorme poder brincar de chá da tarde com meus ursinhos e bonecas. Era tão bom ser inocente! Acordar tarde, assistir desenho, e só ter que me preocupar com o quarto pra arrumar, se não, não poderia sair para brincar na rua. Era boa a época em que eu ainda não podia escolher minhas roupas pois não era crescidinha o bastante. E minha maior diversão era as compras de materiais onde eu comprava tudo de um personagem só… mais alegria ainda era quando ganhava uma lancheira de brinde. Eu não tinha preocupações, e nem situações onde meu futuro está em jogo… dormia tranquila como um anjo, sem ter que me preocupar com o dia seguinte! Realmente, a inocência me faz falta. Às vezes me sinto desintegra por pensar certas coisas, e muita das vezes até involuntariamente. Naquela época, minha mãe era a rainha do mundo e definitivamente não tinha discussões! Hoje ela ainda é, porém, o encanto de criança já se foi. É como em um filme, estou no meu quarto e ao meu redor os brinquedos vão desaparecendo pouco a pouco e coisas como livros e esmaltes surgem tomando o lugar da alegria e da inocência. O sorriso que carregava no rosto ao chegar em casa já não é mais o mesmo… não deixa de ser um sorriso, porém torto e cansado. Minha mente já está sobrecarregada de tanto pensar e me preocupar com o que vai acontecer, ou com decisões importantes que tenho que tomar, ou coisas inadiáveis a fazer, ou assuntos sérios para serem resolvidos… ah, exaustante! Eu só queria ter meus seis anos de idade novamente, onde eu podia chegar e deitar no colo da minha mãe e dormir… onde eu podia fazer perguntas bobas com toda inocência de criança… onde namorar era mandar cartinhas e dividir o lanche na hora do recreio… nostálgico! Eu nunca entendi o porquê de Peter Pan não querer crescer, eu dizia “Seu bobinho, crescer é tão legal! Coisas de adultos, sabe aquelas que eles sempre dizem, deve ser tão legal!”, e de novo a inocência! Mal sabia eu o que enfrentaria e o que me tornaria! Cadê minha Terra do Nunca? Onde fadas tem um pozinho mágico que me faz voar e crianças perdidas que não crescem, e piratas doidos, e sombras independentes? Cadê? Eu quero! Quero minha inocência de volta, quero minha infância de volta, quero os velhos tempos de volta! Ah, como dói saber que o tempo não volta, só anda para frente… porque ele me arrasta para um futuro que eu não quero enfrentar! Quero voltar aos tempos em que escovar os dentes era chato, e ir no banco de trás do carro mais ainda. Tempo em que eu não podia empurrar o carrinho de compras por ser muito pequena. Aquele tempo em que eu ganhava pirulito ao fim de visitas ao médico, e ganhava uma luva cheia de ar ao sair do dentista. Ao poder dançar na frente de todos e acharem bonito ao invés de me repreenderem. Eu poderia ficar lá, tomando chá com meus ursinhos e minha bonecas enquanto todos crescem e enfrentam isso que chamam de vida dos adultos… eu poderia!



(Nostálgico, Stephanie Rodrigues)


“Mas se você prestar atenção, olhar bem lá no fundo, vai conseguir ver sinceridade e sentimento. É que eu tive que os esconder para que o pouco que sobrou não se fosse com o vento.”
~ Stephanie Rodrigues